Na morte os iníquos vão para a “punição eterna” ou para o “decepamento eterno”? – Mateus 25:46

Mark and Loly 

NA MORTE OS INÍQUOS VÃO PARA A “PUNIÇÃO ETERNA” OU PARA O “DECEPAMENTO ETERNO”?
–-Será que Mateus 25:46 apoia a visão da aniquilação da Torre de Vigia?

MATEUS 25:46

ALMEIDA REVISTA E ATUALIZADA
TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO
“E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.” “E estes partirão para o decepamento eterno, mas os justos, para a vida eterna.”

ARGUMENTO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ:

Desde o começo, as Testemunhas de Jeová têm odiado a doutrina Cristã da punição eterna no inferno. Elas substituíram esta doutrina pelo conceito da aniquilação eterna dos maus, e elas usam várias ‘provas’ das Escrituras, tiradas fora do contexto, para além de uma tradução errada das mesmas, para apoiar o seu ponto de vista. É este o caso de Mateus 25:46 onde se lê na Tradução do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová: “E estes partirão para o decepamento eterno, mas os justos, para a vida eterna.” Enquanto a maioria dos tradutores da Bíblia traduzem a palavra grega kolasis (κόλασις) como “punição”, os tradutores da Bíblia das Testemunhas de Jeová, escolheram traduzir por “decepamento” para justificar a sua crença na aniquilação. O seguinte é um trecho de uma de suas publicações, afirmando porque elas escolheram traduzir esta passagem de forma diferente:

“Mat. 25:46, ALA: “Irão estes para o castigo eterno [“truncamento”, Int.; grego, kó·la·sin], porém os justos para a vida eterna.” (The Emphatic Diaglott reza “decepamento” em vez de “castigo”. Uma nota ao pé da página declara: “Kolasin . . . deriva-se de kolazoo, que significa, 1. Decepar; como no truncamento de ramos de árvores, podar. 2. Restringir, reprimir. . . . 3. Castigar, punir. Extirpar alguém da vida, ou da sociedade, ou mesmo restringir, é tido como castigo; — por conseguinte, surgiu este terceiro uso metafórico da palavra. Adotou-se a primeira acepção, porque concorda melhor com a segunda parte da sentença, preservando-se assim a força e a beleza da antítese. Os justos vão para a vida, os ímpios para o decepamento, sendo cortados da vida, ou para a morte. Veja 2 Tes. 1.9.”)” —Raciocínios à Base das Escrituras, 1989,p.193

RESPOSTA BÍBLICA:

Aqueles que planeiam falar com as Testemunhas de Jeová numa base regular, talvez queiram tornar-se familiares com o arsenal que podem esperar encontrar num combate espiritual com uma Testemunha mediana que vem à sua porta. As Testemunhas de Jeová usualmente estão equipadas com a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (a Bíblia das Testemunhas de Jeová), o livro Raciocínio à Base das Escrituras (A publicação da Sociedade Torre de Vigia citada acima, que é usada para defender as doutrinas peculiares das Testemunhas de Jeová), e a Interlinear do Reino ou Emphatic Diaglott,duas Interlineares grego/inglês que são publicadas pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Cada Interlinear apresenta o texto grego e a respetiva tradução em inglês para cada palavra debaixo do texto grego na coluna da esquerda, e uma tradução completa na coluna da direita. A Emphatic Diaglott, citada no livro da Torre de Vigia, Raciocínios (acima) foi traduzido por Benjamin Wilson que tinha crenças similares aos Cristadelfianos. Cristadelfianos acreditam em coisas muito similares às Testemunhas de Jeová, tais como a rejeição do inferno e a imortalidade da alma. Depois, os direitos da Interlinear Emphatic Diaglott foram comprados pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados e publicada em 1942. Existem várias preocupações que surgem com respeito ao texto em questão a nível Translacional, Hermenêutico, Linguístico e Lógico.

Translacional: A palavra grega kolasis (κόλασις) usada nesta passagem é derivada de kolazō (κολάζω) que significa “para restringir, podar, limitar … para verificar, coibir, punir”—Vines Complete Expository Dictionary of Old and New Testament Words, pág. 497. Embora a Sociedade Torre de Vigia esteja correta em apontar que kolazō pode significar “podar,” é commumente traduzido por “punir” ou “punição” nas Escrituras. Até mesmo a Bíblia das Testemunhas de Jeová, a Tradução do Novo Mundo, traduz corretamente kolazō como “punir” em Atos 4:21. Contudo, vão contra a sua forma de traduzir esta palavra numa passagem, ao traduzir a palavra derivada kolasis (κόλασις) como “decepamento” em Mateus 25:46, justificando esta tradução ao aplicar o conceito de “podar” para “decepamento”. Isto não é claramente suportado no texto grego, assim como W.E. Vine nota: “Kolasis (κόλασις, 2851), semelhante a kolazō (PUNIR, Nº. 1), ‘punição’ usada em Mat. 25:46, ‘punição (eterna).’”—Vines Complete Expository Dictionary of Old and New Testament Words, pág. 498. Mas mesmo que se desse crédito a tal tradução errónea, deduzir a partir disto que uma cessação da existência ocorre, é impor algo ao texto que simplesmente não está lá.

Hermenêutico: Este é o estudo de como uma interpretação de uma passagem Bíblica se compara com o resto das Escrituras. Como é que a tradução de “punição” versus “decepamento” se compara com o resto da Palavra de Deus? Em Lucas 16:22-28, Jesus conta a história de um pobre homem, chamado Lázaro, que foi confortado após a sua morte, enquanto o homem rico que falhou em cuidar das necessidades de Lázaro acabou num tormento consciente no “Hades.” Esta e muitas outras passagens falam do Hades e Inferno (Geena) como sendo um lugar onde haverá “choro e ranger de dentes” (Mateus 8:12; 22:3; 24:51; 25:30).  Se alguém aceitar o significado destas Escrituras de modo literal, terá de aceitar a existência de uma vida após a morte consciente de tormento para aqueles que rejeitam Jesus Cristo e seu pagamento pelo pecado. Contudo, quando são apresentadas estas passagens, as Testemunhas de Jeová normalmente respondem com uma interpretação metafórica e simbólica, baseada na literatura da Sociedade Torre de Vigia. Note a seguinte explicação, com respeito a Lucas 16, apresentada pela publicação da Sociedade, Poderá Viver para Sempre:

“O rico, na ilustração, representava os líderes religiosos que se julgavam importantes, os quais rejeitaram a Jesus e depois o mataram. Lázaro retratava o povo comum, que aceitou o Filho de Deus. A morte do rico e de Lázaro representava uma mudança de condição. Esta mudança ocorreu quando Jesus alimentou espiritualmente o povo que fora negligenciado e que era como Lázaro, de modo que esse obteve o favor do Abraão Maior, Jeová Deus. Ao mesmo tempo, os líderes religiosos, falsos, ‘morreram’ quanto a terem o favor de Deus. Sendo rejeitados, sofreram tormentos quando os seguidores de Cristo expuseram as obras más deles.”— Poderá Viver para Sempre num Paraíso na Terra, 1982, págs. 88-89

Em vez de aceitar a verdade simples das Escrituras, a Sociedade Torre de Vigia é forçada a impor um significado distorcido ao texto das Escrituras, de modo a validar a sua crença anti-bíblica da aniquilação para os maus e a imortalidade condicional para os justos.

Linguístico: Na passagem de Mateus 25:46, a natureza eterna da vida para os justos é contrastada com a natureza eterna para os iníquos. Alguns versos antes do versículo 46, nós lemos na Tradução do Novo Mundo,no versículo 41 que os “cabritos” que rejeitam a Cristo serão atirados “para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos.” Quando a Sociedade Torre de Vigia declara: “O “decepamento” (kólasis) eterno dos “cabritos” é o contrário da “vida eterna” com que as “ovelhas” são recompensadas.”— O Reino de Deus — Nosso Iminente Governo Mundial, pág.171, temos que nos perguntar como podem elas justificar tal raciocínio, dado o contexto do “fogo eterno”, declarado no texto do versículo 41. Isto leva-nos ao ponto seguinte:

Lógico: Por definição, a felicidade eterna consciente dos justos no céu ou num paraíso na Terra NÃO é o oposto da aniquilação inconsciente dos injustos. O contrário da felicidade consciente é o tormento consciente, como recompensa e punição implica consciência. É absurdo dizer que você irá punir a sua cadeira por “decepar” suas pernas, porque você bateu com seu dedo nela, porque uma cadeira não está “consciente” de nada.

Em suma, não existe justificação translacional, hermenêutica, linguística, ou lógica para os erros de tradução e interpretação da Torre de Vigia em Mateus 25:46, dados na Tradução do Novo Mundo.

 

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